João e Maria
O que acontece na história
João e Maria seguem um passarinho branco pela floresta e acabam se perdendo. Eles encontram uma casinha de biscoito e doces, mas as coisas ali não são como parecem. Com esperteza e de mãos dadas, os irmãos voltam para os pais que tanto os amavam.

Na beira de uma grande floresta verde, havia uma casinha de madeira. Ali moravam um lenhador, a esposa dele e os dois filhos, João e Maria. A casa não era grande, mas tinha cheiro de pão e de pinheiro. Toda noite, a mãe dava um beijo nos dois e dizia: "De mãos dadas, meus pequeninos. De mãos dadas, e vocês vão achar o caminho." "De mãos dadas", responderam os dois, e o pai soprou a vela.

Numa bela manhã, o pai foi cortar lenha, e as crianças foram junto colher frutinhas. "Fiquem onde dá para ouvir o meu machado", disse ele. João encheu o bolso de pão e foi deixando um farelinho aqui e outro ali, para marcar o caminho. Então Maria viu um passarinho branco. Ele pulava e cantava, e os dois foram atrás, só um pouquinho, e depois mais um pouquinho.

Logo, eles não ouviram mais o machado. "Vamos seguir os meus farelinhos", disse João. Mas os farelinhos tinham sumido. Os passarinhos da floresta tinham comido todos! As árvores pareciam todas iguais, e a luz ficou suave e dourada. O lábio de Maria tremeu. João pegou a mão dela. "De mãos dadas", disse ele, e ela fez que sim com a cabeça. Bem longe, o passarinho branco cantou de novo, e os dois foram andando em direção à canção.

Numa clareira, havia a casinha mais esquisita que eles já tinham visto. As paredes eram de pão de mel. O telhado era de bolo. As janelas eram de açúcar, claras e brilhantes. João arrancou um cantinho do telhado. Maria deu uma lambida na janela. Então, lá de dentro, veio uma vozinha rouca: "Nhac, nhac, nhac, feito um ratinho, quem está mordiscando o meu telhadinho?" A porta se abriu, e saiu uma velhinha miudinha, com um xale roxo.

"Entrem, entrem", disse ela, e deu panquecas para os dois e os colocou na cama. Mas, de manhã, a voz dela já não era tão doce. "Vocês comeram o meu telhado", disse. "Agora vão ficar aqui para varrer o chão e mexer as minhas panelas, para sempre!" Ela era uma bruxa, e das mandonas. Trancou a porta da frente e pendurou a chave num gancho. O dia inteiro eles trabalharam. A noite inteira sussurraram: "De mãos dadas."

Maria observava, e Maria pensava. Havia também uma porta dos fundos, com uma tranca de madeira dura. Certa manhã, ela parou ao lado da porta, fazendo uma carinha de quem não entendia nada. "Por favor", disse ela, "como é que essa tranca funciona? Eu não consigo." "Menina boba", resmungou a bruxa. "É só passar por aqui, assim." E lá foi ela para o jardim. Num piscar de olhos, Maria empurrou a porta. Clique! A tranca desceu. A bruxa ficou do lado de fora.

"Abram esta porta!", gritou ela. Sacudiu e bateu o pé. Mas, lá das árvores, vieram os passarinhos da floresta, centenas deles, porque tinham sentido o cheiro do bolo. Toc, toc, toc no telhado! "Xô! Xô! A minha casa!", gritou a bruxa, e correu atrás deles, por cima do morro e para bem longe, e aquela floresta nunca mais a viu. João pegou a chave no gancho. Maria encheu o avental de pão de mel. De mãos dadas, os dois saíram correndo para o sol.

O passarinho branco voou na frente, e eles foram atrás. Então, por entre as árvores, ouviram vozes: "João! Maria!" Duas lanternas balançavam pelo caminho. A mãe e o pai tinham procurado todos os dias e todas as noites, e nunca, nunca tinham desistido. Ah, que abraço! Ah, que beijinhos de nariz! Voltaram para casa, de mãos dadas, dadas, dadas. Teve pão de mel no jantar e caminhas quentinhas e macias. A mãe deu um beijo nos dois. A vela se apagou. Boa noite, pequeninos.
O que podemos aprender
De mãos dadas e com calma, a gente sempre encontra o caminho de casa.
Ideal para: De 3 a 8 anos
O refrão "de mãos dadas" e o final aconchegante deixam a história suave para dormir, dos 3 aos 8 anos.
De onde vem esta história
Hänsel und Gretel, Kinder- und Hausmärchen — Brothers Grimm (Jacob and Wilhelm Grimm), c. 1812. Recontada para a hora de dormir pela Lullaquill. Esta é a nossa própria versão de um conto de domínio público.
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